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Thursday, February 09, 2006

Companheiro é companheiro...


Estou com um amigo de colégio e tomamos um ônibus em Botafogo. Entramos pela porta de trás. O trocador, um nordestino de sotaque forte me entrega a mais três moedas de R$0,25 no troco em cima de uma folha de papel branco junto com o resto do troco. Entrego pra ele o dinheiro a mais.

Estamos vestidos com a camisa do mesmo tipo das do tempo de colégio, mas não era exatamente um uniforme. E por baixo estamos com camisetas convencionais, tal como fazia nos tempos de colégio. O trocador se oferece para pendurar as camisas brancas por trás da cadeira do ônibus como se fossem paletós, mas depois eu o vejo embrulhando uma manta marrom e colocando em uma caixa plástica. Como aquelas de roupa suja.

Falo com ele qualquer coisa criticando o comportamento de carioca, dizendo que somos mais desconfiados e bestas que os nordestinos e o trocador ri.

De repente começa a tocar “Companheiro é companheiro, fédaputa é fédaputa” da Banda Genéricos mas o trocador é impedido de escutar o rádio. Nesse momento o Luis Antônio está do meu lado e amigo de colégio no banco da frente. Começamos, eu o trocador e o amigo a cantar o refrão da música, como sinal de protesto e diversão ao mesmo tempo enquanto o Luis olha pra mim sem entender nada.

E o ônibus sai da Voluntários da Pátria em direção a Praia de Botafogo.

Thursday, December 22, 2005

A Louca Testemunha

Estou em uma casa velha. Casa de serviço de proteção às testemunhas. E ela ficava onde é o auditório do Pedro II, a posição dela. Ela possui dois cômodos: um com uma beliche e outro com uma cama de casal. Em cada um dos quartos uma televisão. No que tinha beliche havia uma televisão Philco 14” (exatamente como a que eu tinha) e na do outro quarto era uma grande marrom 20” da Philips (como já tivemos aqui em casa, a nossa primeira TV a cores).

Estou na parte de cima do beliche e as pessoas que estavam comigo vão embora. Decido juntar os colchões das três camas e assistir a TV no cômodo da TV maior, embora a imagem a TV de 14” seja melhor, e fico na dúvida. Quando estou indo pro tal cômodo chegam 3 pessoas: uma mulher, louca e outra com uma menina. As três são testemunhas de um crime, ou vão denunciar na justiça os maus tratos e as condições de vida das empregadas domésticas. A imagem do julgamento corre na minha cabeça.

A louca parece ser testemunha chave e vai pro quarto menor, mas começa a falar muitas coisas e a começar a desmentir o que viu, que não tinha certeza se foram os tais garotos que cometeram o assassinato. Vou saindo do quarto e vendo a louca falar e a mulher com a criança também fazendo conta de que está prestando a atenção na louca. Depois ela fecha a porta e deixa a mulher falando sozinha.

Nisso eu falo que é perigoso deixá-la trancada, ainda mais com a televisão. Ela pode ter um surto e quebrar tudo. A moça concorda, mas como ela já fechou a porta não decide abri-la mais. E eu fico frustrado porque queria ver a TV em uma boa imagem e fico assistindo a TV 20” em imagem ruim, cheia de chuviscos. Depois eu saio da casa e passo pelo corredor de onde era o antigo auditório.