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Sunday, February 11, 2007

Supermercado II

O jornal na televisão anuncia com um certo estardalhaço que jovens de classe média encontraram um novo point para o tráfico de drogas: o supermercado. Aparecem imagens de circuito interno de TV dentro do supermercado e de alguma forma consigo ver a fachada do supermercado Zona Sul de Ipanema, o da Praça General Osório. Em meio a imagens de jovens comprando maconha e ecstasy no corredor que vende comidas congeladas, vejo imagens de outras pessoas passando no caixa, mas comendo chocolates e biscoitos sem pagar. A reportagem muda de assunto e fala do prejuízo que esse tipo de prática dá aos supermercados.

Enquanto isso já estou no mesmo supermercado com meu pai. Ele quer passar um vasilhame branco pelo caixa sem pagar. "Pai, o senhor não viu a reportagem? Isso não está correto!". Quando meu pai passa pelo caixa a moça fala que ele vai ter que pagar pelo vasilhame, alegando que se ele estivesse vazio ele não pagaria, mas o vasilhame está cheio de gasolina e por isso deveria pagar. Ela me mostra dois cupons fiscais em amarelo, um com o preço da compra sem o vasilhame que ela tinha batido inicialmente, em torno de 33 reais, e outra com o preço da gasolina, que aumentou a conta para 53 reais. Do lado dos preços dos produtos na nota há uma descrição detalhada sobre eles e ela me diz: quando for fazer compra não se deve pensar só no
aspecto quantitativo, o preço, mas também no qualitativo: as palavras. Depois meu pai dá para moça do caixa 10 reais pra caixinha de natal , e tanto eu quanto ela pensamos que estamos em dezembro. Mas depois nos damos conta que já estamos em janeiro. A saída do mercado lembra o das Sendas do Flamengo.

Tenho que arrumar as comprar e enquanto estou na expectativa de pegar algumas sacolas e meu pai outras, me dou conta que, por conta da operação dele terei que carregar todas. Em princípio coloco 2 sacolas na mão esquerda e 3 na mão direita. Só que percebo que na mão esquerda tem muita sacola pra pouco peso, então decido colocar a alface, que estava sozinha em uma sacola, dentro de outra e consigo pegar uma das sacolas da mão direita e equilibro, assim, o peso delas.

Vou andando com meu pai por um estacionamento na Tijuca. Um calor forte. Penso que pegaremos um taxi, mas ele decide ir de metrô, para minha insatisfação. Na parte lateral há uma igreja e vemos, no estacionamento, um camelô vendendo água. Reclamo da sede. Meu pai pergunta se não quero comprar água, mas digo que não senão vai me dar vontade de fazer xixi.
Prefiro beber a espuma que está em uma das sacolas, e ela mata minha sede.

No caminho para o metrô, temos que passar por uma velha galeria. Dentro dela há uma loja que vende chocolates. Meu pai oferece uma caixa de bombom serenata de amor, mas opto por uma barra de chocolate branco com castanha de caju. Quando eu vou pegar a barra, que está sob várias outras barras de chocolate, a pilha quase desaba. Meu pai se estressa, mas consigo evitar a queda e pegar o chocolate que eu quero.

Depois entramos em uma saleta onde há varias pessoas assistindo à Sessão da Tarde na televisão. Estão reprisando Cocoon e vejo vários velhos como Don Ameche e Jessica Tandy saindo da televisão como se fossem espíritos. Sai também uma mulher loira, mais nova, e estranho, pois achei que só os velhos poderiam ter aquele poder. Eu os sigo e vejo um portal em estilo romano, quadrado, de portas fechadas e os espíritos passam pela porta, entram no portal sem precisar abrí-lo. Fico parado olhando para os dizeres em estranho latim do portal enquanto vários espíritos, não só o dos velhos passam por ele.

Tuesday, February 21, 2006

Um psicanalista nacionalista na biblioteca


Marcelo está junto comigo caminhando para algum lugar na Tijuca. Decidimos cortar caminho por um velho prédio, muito bonito e cheio de detalhes. É como se a construção fosse uma galeria onde há duas portas e uma de suas saídas dá para outra rua.

No caminho eu observo uma sigla em alto relevo dentro da construção e ao traduzi-la percebeo que é algo relacionado com registro de direitos autorais de música. Eu digo para o Marcelo: “olha onde estamos, tem tudo a ver com você”. Ele me diz “meeeeeedo” se referindo à burocracia que é para registrar uma música composta por ele. E eu ainda digo: pior do que isso só a Bibliex (Biblioteca do Exército) e ele repete o mesmo “meeeeedo”.

A saída parece estar fechada pois é tarde da noite. E viramos para uma sala à direita onde há uma biblioteca. O Marcelo sacaneia dizendo que ali só deve ter gente velha. E vejo um coroa alto de barba branca usando calça jeans orientando as pessoas a buscarem seus livros. Marcelo vai falar com ele enquanto procuro o bibliotecário que está em sua mesa específica.

Ao falar com o bibliotecário percebo que ele é o Joel Birman que parece dar uma orientação para alguma amiga minha a respeito de psicanálise. Eu fico atento prestando a atenção e passo os olhos nos livros da Biblioteca para inventar uma desculpa sobre que livro eu vou pegar. Depois fico agachado ao lado da cadeira onde está minha amiga e presto a atenção no que diz o professor.

“Eu agora vou contar uma piada, mas o Odilon já conhece ela da aula”.

Fico feliz em ele ter me reconhecido e ele conta a tal piada. Em seguida ele me diz: “Odilon você não deve ter achado graça pois você é um psicanalista nacionalista”. E eu sequer etendi o motivo dele ter dito isso.

Lá pelas tantas estou olhando os livros sobre masculinidade do Sócrates Nolasco e o Joel comenta algo sobre ele e que ele tinha falado a respeito de meus estudos para ele. Eu digo que gosto do Sócrates e ele dá uma risada irônica e me cumprimenta com ar de satisfação. Também digo a ele sobre os assuntos que pesquiso tal como masculinidades. Depois ele me pede para eu esperar do lado de fora enquanto ele termina a orientação.

O lado de fora são as escadas de acesso a minha casa. E a amiga também é colocada pra fora pois há um grupo de pessoas chegando em casa e na mesa há talheres e livros. A minha amiga volta lá e ele diz que o livro dela deve ser devolvido até às 10:30 da manhã do dia seguinte e que ela tem um dever pra fazer. Ao pegar a ficha dela a minha amiga não é mais amiga, mas um amigo e ao consultar o nome dele, ele diz Wolverine. E o Joel fala e mostra a ficha que fica atrás dos livros que ele foi a penúltima pessoa a pegar aquele livro.

Enquanto isso estou indo embora com alguns livros na mão e Joel me interrompe dizendo que há tarefa para mim. Ele mostra o mesmo livro que está folheando para uma garota e diz para eu pegar os conceitos que tem no livro e classificá-los. Perplexo eu pergunto: “classificar como?”. Ele responde apontando os tais critérios, algo como se aquele conceito é um conceito natural, se o conceito foi criado por Freud, se é um conceito psicanalítco geral ou se era um conceito era algo já existente. E nisso ele continua folheando o tal livro de capa amarela envolvida com um plástico e letras marrons chamado “Fundamentos de Psicanálise”. É um livro já usado, rabiscado e o Joel aponta exemplos de como se dá tal classificação de acordo com as palavras encontradas no texto, tais como morte, inconsciente, foraclusão entre outras. Aquilo me deixa muito apreensivo.

Friday, December 23, 2005

Uma noite em Ipanema


Estou andando em Ipanema com o Pedro. Comento com ele como os novos óculos dele mudaram o seu visual pra melhor e ele concorda comigo, mostrando-me as novas armações. Ao atravessar para a Praça General Osório, que mais se parece com a Saens Peña, eu estou conversando com o Adeilton que fala que usar lentes de contato não é pra qualquer um porque requer muitos cuidados, mas que ele conseguiu se adaptar a elas bem. Eu pergunto se está mais fácil para ele ler as palavras em inglês, ele me responde que sim. E eu ainda faço uma pergunta retórica, dizendo que na realidade deve ter melhorado a leitura dele em geral e ele concorda comigo.