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Monday, July 10, 2006

Perto de Deus


Chego no alto de um terraço coberto com colunas brancas, estilo grego. Alguém está comigo. Olho para baixo e tenho vontade de pular. Mas fico com medo. O meu "outro eu" diz que não há problema porque ali eu fluturarei. Já estou com o corpo no espaço voando e eu digo "mas comigo eu sempre caio, sempre acontece comigo nos meus sonhos". A paisagem é deslumbrante: um mar muito azul, montanhas grandes cobertas por verde tipicamente da Mata Atlântica. Ao sentir que vou cair meu outro eu me diz: "não há porquê ter medo: essas montanhas, o mar, tudo isso é você mesmo". Ao olhar para baixo vejo meu rosto em várias fotos 3x4 refletido no mar. Aquilo me acalma e sinto que estou subindo cada vez mais e olho em direção ao sol. Sinto que estou cada vez mais perto do paraíso e que se eu chegar lá é sinal de que terei morrido. Por isso, acordei!

Tuesday, February 21, 2006

Um psicanalista nacionalista na biblioteca


Marcelo está junto comigo caminhando para algum lugar na Tijuca. Decidimos cortar caminho por um velho prédio, muito bonito e cheio de detalhes. É como se a construção fosse uma galeria onde há duas portas e uma de suas saídas dá para outra rua.

No caminho eu observo uma sigla em alto relevo dentro da construção e ao traduzi-la percebeo que é algo relacionado com registro de direitos autorais de música. Eu digo para o Marcelo: “olha onde estamos, tem tudo a ver com você”. Ele me diz “meeeeeedo” se referindo à burocracia que é para registrar uma música composta por ele. E eu ainda digo: pior do que isso só a Bibliex (Biblioteca do Exército) e ele repete o mesmo “meeeeedo”.

A saída parece estar fechada pois é tarde da noite. E viramos para uma sala à direita onde há uma biblioteca. O Marcelo sacaneia dizendo que ali só deve ter gente velha. E vejo um coroa alto de barba branca usando calça jeans orientando as pessoas a buscarem seus livros. Marcelo vai falar com ele enquanto procuro o bibliotecário que está em sua mesa específica.

Ao falar com o bibliotecário percebo que ele é o Joel Birman que parece dar uma orientação para alguma amiga minha a respeito de psicanálise. Eu fico atento prestando a atenção e passo os olhos nos livros da Biblioteca para inventar uma desculpa sobre que livro eu vou pegar. Depois fico agachado ao lado da cadeira onde está minha amiga e presto a atenção no que diz o professor.

“Eu agora vou contar uma piada, mas o Odilon já conhece ela da aula”.

Fico feliz em ele ter me reconhecido e ele conta a tal piada. Em seguida ele me diz: “Odilon você não deve ter achado graça pois você é um psicanalista nacionalista”. E eu sequer etendi o motivo dele ter dito isso.

Lá pelas tantas estou olhando os livros sobre masculinidade do Sócrates Nolasco e o Joel comenta algo sobre ele e que ele tinha falado a respeito de meus estudos para ele. Eu digo que gosto do Sócrates e ele dá uma risada irônica e me cumprimenta com ar de satisfação. Também digo a ele sobre os assuntos que pesquiso tal como masculinidades. Depois ele me pede para eu esperar do lado de fora enquanto ele termina a orientação.

O lado de fora são as escadas de acesso a minha casa. E a amiga também é colocada pra fora pois há um grupo de pessoas chegando em casa e na mesa há talheres e livros. A minha amiga volta lá e ele diz que o livro dela deve ser devolvido até às 10:30 da manhã do dia seguinte e que ela tem um dever pra fazer. Ao pegar a ficha dela a minha amiga não é mais amiga, mas um amigo e ao consultar o nome dele, ele diz Wolverine. E o Joel fala e mostra a ficha que fica atrás dos livros que ele foi a penúltima pessoa a pegar aquele livro.

Enquanto isso estou indo embora com alguns livros na mão e Joel me interrompe dizendo que há tarefa para mim. Ele mostra o mesmo livro que está folheando para uma garota e diz para eu pegar os conceitos que tem no livro e classificá-los. Perplexo eu pergunto: “classificar como?”. Ele responde apontando os tais critérios, algo como se aquele conceito é um conceito natural, se o conceito foi criado por Freud, se é um conceito psicanalítco geral ou se era um conceito era algo já existente. E nisso ele continua folheando o tal livro de capa amarela envolvida com um plástico e letras marrons chamado “Fundamentos de Psicanálise”. É um livro já usado, rabiscado e o Joel aponta exemplos de como se dá tal classificação de acordo com as palavras encontradas no texto, tais como morte, inconsciente, foraclusão entre outras. Aquilo me deixa muito apreensivo.

Monday, January 23, 2006

A Invasão


O banheiro de uma casa mal acabada. Parece um barraco, mas é de alvenaria. Do lado de fora seu Nascimento fala qualquer coisa comigo. Termino o banho e me enxugo. Há um clima de medo na casa:

- Cuidado, começou o tiroteio e ninguém sai de casa.

Olho para o Luis e digo:

- Pois é isso aqui virou Rio de Janeiro de vez. O tráfico tomou conta de vez disso aqui.

Do lado de fora da casa há uma grande varanda de piso marrom e nela há uma nordestina de cerca de 30 anos, magra, cabelo pintado de loiro e um sotaque “arretado”. Ela bradava, dizendo que iria ficar do lado de fora sim e que era desaforo ela não ter segurança, pois pagava os seus impostos. Num dado momento todos voltam para casa e se abaixa com medo de possíveis balas perdidas. Me junto a nordestina do lado de fora e concordo com o que ela diz, ao mesmo tempo que tenho muito medo. De longe vejo a favela, talvez o Jardim Jaqueline, iluminado pelas casas na escuridão da noite de onde se pode escutar os tiros.

- E as autoridades, não fazem nada? – continuava a loira.

De repente aparecem no céu três helicópteros do DENARC com guardas munidos que atiram em direção àquela área da favela que mais parece uma pequena cidade envolvida em uma cúpula. Em instantes eles resolvem a situação e o tiroteiro passa.

Quando penso que as coisas estão tranqüilas vejo uma nave pousar mais próxima à casa, sobre uma rua e nela se forma uma cúpula e o cenário ganha ares futuristas com extra-terrestres descendo sobre ela. Vários guardas “ets” armados formam uma fila por entre ruas iluminadas em néon e eu vou até eles.

Em seguida eles me reconhecem e começam a me saudar. Um deles dizem que eu sou o ser mágico que eles estavam esperando há tempos. Isso me dá um misto de satisfação e medo, enquanto ando em direção ao fim da rua onde há o chefe deles. Eles me dizem que me reconhecem por conta do meu calázio e por isso sou o tal ser sagrado. E quando encontro o chefe deles no fim da rua sentado em um trono eu pergunto:

- Mas por que és tão ruim?
- Na realidade eu sou uma parte de você. Somos os mesmos, você ainda não se deu conta?

E me aproximo dele e nos fundimos em um só